HOMENAGEM A ANTÓNIO MARIA CHARRINHO

Em boa hora, a Fundação INATEL decidiu homenagear António Maria Charrinho na sua terra natal pelo seu percurso ao nível da música e não só. A ideia surgiu no dia 1 de setembro de 2017 quando a boa liderança do Inatel nacional se deslocou à cidade de Portalegre para assistir à organização do Dia Nacional das Bandas Filarmónicas, iniciativa da Loja do Inatel local, com apoio da Federação de Bandas e da Câmara Municipal de Portalegre. E nesse dia, o Presidente do Conselho de Administração da Fundação Inatel, Dr. Francisco Caneira Madelino, impressionado com o Homem e as suas qualidades ao nível da música e tomando conhecimento de outras, deixou em aberto a possibilidade de vir a Nisa fazer uma homenagem e cobrir jornalisticamente e televisivamente um evento desta natureza. E assim foi, passados pouco mais de dois meses, no dia 18 de novembro, Nisa e os seus melhores e mais históricos locais estiveram em evidência no facebook do Inatel e, claro está, como não podia deixar de ser, o maestro, e pintor, acordeonista, músico, compositor, professor, etc., António Maria Charrinho, no centro de todas as atenções, juntamente com a companheira de uma vida, Hortense, e a filha Maria João.

O momento mais aguardado foi o espetáculo promovido pela Sociedade Musical Nisense no Cineteatro, com apoio do município. Para esta festa de homenagem nacional, o maestro Charrinho quis juntar todos os grupos em que está envolvido ou esteve e todos os amigos em palco. Mas isso era impossível, tal é a sua longa carreira de ligação à música. Mas, fez questão de juntar todos os seus músicos e banda, que o acompanharam em vários momentos. Estiveram os Fora d’ Horas, o Cante do Corrupio, não faltou o fado e o acordeão e no final esteve a FISENA – Filarmónica Sénior do Norte Alentejano, o mais recente projeto musical em que o maestro é a alma. Bom, parece que já tem outro projeto mais novo, muito novo mesmo, trata-se das aulas de cavaquinho na Universidade Sénior.

Falar de António Maria Charrinho é nunca dizer tudo sobre ele…trata-se de um homem muito generoso, simples, modesto, cheio de genialidade, autodidata, músico exímio nos instrumentos de sopro, acordeonista de primeiríssima água em Portugal, considerado por muitos o que melhor toca com a mão esquerda, compositor de originais de muito relevo, brilhante arranjista, pintor, cantor, professor, maestro, bom cozinheiro, etc, etc.

O espetáculo foi crescendo de qualidade e o cineteatro cheio, ou melhor, a abarrotar, foi o demonstrativo do carinho e orgulho que os nisenses nutrem pelo maestro, que como a Srª Presidente da Câmara disse, “o maestro Charrinho é o cidadão que todos os presidentes queriam ter e que mutos têm inveja dela por isso”. De início ouviram-se alguns temas arranjados pelo maestro e outros originais em que a Sociedade Musical Nisense esteve irrepreensível, plena de experiência e muita juventude para garantir o futuro da mesma. Até nisso o maestro e a Direção da Banda têm feito um trabalho com muita qualidade e visão. Houve momentos dedicados aos grupos mais recentes onde António Charrinho toca, como o interessante grupo da aldeia piscatória de Arneiro, os Fora d´Horas, bem como o Cante do Corrupio, que já não está em atividade porque alguns dos seus membros tiveram de deixar a vila de Nisa. Não faltou o fado e um cheirinho a Eugénia Lima, grande inspiradora de António Charrinho acordeonista, verdadeiro discípulo desta diva do acordeão. Um dos momentos altos foi a atuação da sua filha com um fado acompanhado pelo pai no acordeão, com momentos estonteantes de improvisação de altíssima qualidade. Foram ainda apresentados alguns temas estreados nesta noite, nomeadamente um Paso Doble feito por um portalegrense, o Sr. Conchinhas, que foi trompetista na Banda Militar de Évora e que há muitos anos andava para terminar a sua obra. E como não tinha condições para completar a mesma, recorreu ao maestro Charrinho, que não só a concluiu como a engrandeceu, com toda a sua qualidade técnica na arte da composição e dos arranjos musicais e ainda no que diz respeito às novas tecnologias ligadas à música, área onde foi pioneiro no distrito. O Paso Doble saiu na perfeição e foi muito bem interpretado pela Banda, com destaque para o solo de trompete interpretado por outro grande vulto da Sociedade Musical Nisense, João Maia, músico que de entre alguns que ainda hoje tocam, iniciou os seus estudos musicais com o maestro há 36 anos quando este regressou a Nisa para reativar a Banda entretanto inativa. Outro momento de estreia foi um tema que o maestro compôs há poucos anos para um concurso das Marchas Populares de Lisboa e que era uma pena ficar para sempre na gaveta.

Por fim, entraram os mais recentes amigos do maestro, os seus elementos da FISENA, ou melhor aqueles que não fazem parte da Banda de Nisa, porque esta orquestra é constituída à base dos músicos séniores desta vila e dos da Filarmónica do Crato, muito bem acompanhados por mais alguns amigos de Galveias, Alegrete e Castelo de Vide, estando presentes três elementos das duas últimas bandas, alguns maestros. E a FISENA, reforçada por toda a SMN, encantou com temas clássicos do rock dos anos sessenta e oitenta (Breakfast in América, dos Supertramp e The Final Countdown, dos Europe) tendo culminado com todos os participantes em palco a cantarem a Marcha do Alentejo, cuja solista na voz foi Dulce Barriguinha. Mas o tema mais marcante, e que fez levantar todo o público, foi a estreia de um corridinho – Alma Algarvia acompanhado pela orquestra onde o maestro demonstrou toda a sua qualidade na composição e arranjos e em especial como acordeonista.

Enfim, homenagear alguém é isto! É juntar todos os amigos e elevar o homenageado retirando do mesmo tudo o que de melhor ele tem para dar. Além de homenageado e motivo único deste espetáculo, António Charrinho foi o herói e a atração de uma noite memorável. E todos os amigos saíram em êxtase e ainda mais convencidos do seu virtuosismo aliado a uma tremenda simplicidade e modéstia.

Os discursos do Presidente do Conselho de Administração da Fundação Inatel, Dr. Francisco Caneira Madelino e da Sr.ª Presidente da Câmara, Idalina Trindade, foram mais um reforço e um bom tónico para um encerramento em beleza. A Filarmónica do Crato, através do seu Presidente, Filipe Lopes, associou-se e ofereceu uma placa ao homenageado bem com a Sociedade Musical Nisense, que fez questão de oferecer um lindo ramo de flores ao seu timoneiro. O espetáculo foi enriquecido com a passagem de fotos de toda a história dos últimos 36 anos da SMN no ecrã de cinema do cineteatro, o que muito agradou. Não foram esquecidos os doentes, o João Rufino que foi atropelado e o tesoureiro da banda, o Sr. Manuel Rufino, que passa mal de saúde e ainda o músico mais antigo da banda, o regressado Zé da Silva, que ainda recupera de doença mas fez questão de comparecer neste evento.

Após o espetáculo, a Banda organizou um lanche convívio com todos os participantes nas suas novas instalações.

MIGUEL BAPTISTA
(PRESIDENTE DA DIREÇÃO DA FEDERAÇÃO DAS BANDAS FILARMÓNICAS DO DISTRITO DE PORTALEGRE)

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