A Filarmónica do Crato, como grupo mais prestigiado e antigo, teve a honra de iniciar o espetáculo de raiz popular organizado pelo município do Crato onde se juntaram os vários agrupamentos musicais e culturais que existem de momento no nosso município. O mesmo realizou-se na bela Praça do Município, excelente anfiteatro para eventos culturais, na noite de 26 de abril, sábado. Pena que a noite foi fria e ainda choveu na hora do buffet oferecido pelo município e o espetáculo e o evento teriam sido em cheio.
O nosso concelho definhou a vários níveis nas últimas décadas e a Filarmónica do Crato viu desaparecer os dois ranchos folclóricos que existiam – Gáfete e Aldeia da Mata. Durante muitos anos foi o único representante cultural e a embaixatriz do concelho. Felizmente, em 2014 temos vários grupos e podemos afirmar que o concelho respira alguma saúde a nível cultural. De todos os que existem, pudemos apreciar o vigor e a diversidade do grupo de cantares da Santa Casa da Misericórdia do Crato, a Tuna da Escola Profissional Agostinho Roseta e só não ouvimos os cantares de Vale do Peso nas “Vozes da Terra”, porque era dia de festival da tubara na citada aldeia do nosso concelho. E, para deleite de muitos, pudemos assistir à reativação do Rancho folclórico de Gáfete, que depois de ter nascido em 1972 e de ter deixado de atuar em 1997, viria a reaparecer nesta noite após 17 anos de interregno. E o
rancho foi uma das atrações da noite, está de parabéns o Moisés Alexandre e toda a equipa que o acompanha. Nesta noite foi ainda possível assistir a uma bela interpretação de um dueto de saxofones constituído na Universidade de Évora sendo que um dos seus elementos é a jovem Diana Anselmo, pertencente aos quadros da Filarmónica do Crato.
Voltando à atuação da Filarmónica do Crato, apresentou-se com 45 elementos tendo apenas interpretado marchas, mas de qualidade. A acústica foi excelente e a execução também foi bastante boa. O público vibrou e todos ficámos felizes.
Está de parabéns o município por se ter lembrado de juntar os seus recursos endógenos e de, com pouco dinheiro, ter proporcionado um espetáculo ímpar valorizando os atores locais agradando às gentes de cá, que gosta de ver os seus valorizados. Conclui-se que em muitas matérias temos recursos humanos para ombrear com os outros.

