A Filarmónica do Crato teve a honra de ser uma das seis bandas convidadas a participar no Festival COM’PAÇO, que chegou em 2019 à 12.ª edição, e é já um marco na formação musical e na promoção da música filarmónica.
Este ano, a
aposta da edilidade lisbonense continuou, com a apresentação de bandas
filarmónicas de todo o país no Jardim da Estrela e no Jardim do Arco do Cego. A
Filarmónica do Crato esteve presente no Jardim da Estrela, local muito aprazível
e que naquela tarde de 22 de junho de 2019 estava repleto de visitantes a
saborearem a frescura das frondosas árvores e arbustos. E nada melhor do que
proporcionar três ótimos concertos aos visitantes. Começou a Banda Musical e Artística da Charneca
(Lisboa), com quem a nossa Filarmónica já realizou um intercâmbio no princípio
deste século e que, curiosamente, é dirigida por um jovem maestro com
descendência do Crato, Miguel Oliveira, primo do nosso maestro Humberto João
Oliveira Damas, e que é neto do Sr. José Bicho, que voltou para o Crato após se
ter reformado como PSP em Setúbal. A prestação desta banda foi de muito boa
qualidade e do agrado do muito público. Seguiu-se a Sociedade Filarmónica Progresso Matos Galamba,
de Alcácer do Sal, que protagonizou um concerto de elevadíssima
qualidade. E, por fim, a Filarmónica
do Crato, por volta das 19.30, com algum
vento a prejudicar, o que faria com que o público fosse em menor número, ainda
assim a dar por muito bem empregue o tempo já que o concerto de foi de muito
bom nível. Refira-se que marcaram presença muitos
cratenses que acorreram à Estrela para apoiar a sua banda. No Jardim do Arco do Cego marcaram presença a Banda de Música de Cête,
Paredes, a Banda de Música de Santiago de
Riba-Ul, de
Oliveira de Azeméis, a mais antiga do país, com quase 300 anos (1722), e a
Sociedade de Instrução
Coruchense.
Por volta das 22h a Alameda D. Afonso Henriques foi o palco escolhido para o
grandioso concerto de encerramento, onde os participantes na Banda de Jovens Músicos Com’Paço 19
(selecionados das bandas participantes, bandas da cidade de Lisboa e escolas
profissionais de música parceiras) apresentaram o trabalho realizado no
workshop de Jovens Músicos COM´PAÇO, com uma convidada especial: a cantora
Anabela, sob a direção do conceituadíssimo maestro Délio Gonçalves, da Banda da
Armada e que teve como convidados Anabela (voz), José Miranda (piano) e
Alexandre Carvalho (Baixo elétrico). Neste espetáculo, os cerca de 400 músicos
homenagearam o feito do navegador português Fernão de Magalhães, responsável
pela primeira viagem de circum-navegação à Terra, através desta linguagem
universal. O concerto, realizado num local de rara beleza da cidade de Lisboa,
cujo palco estava encostado à Fonte Luminosa, estava repleto de público. O seu
início foi deslumbrante ao som de uma fanfarra constituída por seis músicos de
cada uma das bandas participantes (Mário Narciso, Tomás Dias, João Felizardo,
Afonso Fernandes, Henrique Fernandes e Gonçalo Alexandre pelo Crato). O melhor
viria a seguir com a atuação dos 58 jovens que marcaram presença no Workshop
para Jovens Músicos Com’Paço 19, direcionado às bandas participantes no
festival, bandas filarmónicas da cidade de Lisboa e escolas de música parceiras,
que decorreu de 17 a 22 de junho no Inatel de Oeiras. O concerto foi uma
alegoria aos oceanos, ao mar, ao feito dos portugueses ao desbravarem mares
nunca antes navegados. Os temas interpretados foram magníficos e os solistas
estiveram em altíssimo nível. O som estava deslumbrante e nem o imenso frio
noturno fez arredar o muito público presente. Por fim, a cereja no topo do
bolo, a atuação da cantora Anabela, que interpretou quatro temas do seu
reportório, acompanhada pela bela banda/orquestra com arranjos de Lino Guerreiro.
O final foi em apoteose com os músicos de palco e os das seis bandas a
interpretarem a Marcha Com’Paço, de Fernando Ramos, que já é tradição encerrar
os festejos. Foi brutal, os sons ecoaram por toda a Alameda até ao Técnico.

Tratou-se de uma experiência inolvidável para todos os músicos da Filarmónica do Crato, em especial para os seis que formaram a fanfarra e para os três que foram selecionados para participar na banda final, constituída por jovens entre os 15 e os 25 anos, que trabalharam arduamente durante cinco dias de manhã à noite. Os selecionados foram Leonardo Monteiro, Beatriz Martinho e Francisco Batista (júnior).
A Direção da Filarmónica do Crato ofereceu o almoço aos seus executantes num excelente restaurante de self-service em Samora Correia e o jantar, oferta do município de Lisboa e da EGEAC, decorreu em enorme convívio entre as bandas, no mercado de Arroios, junto à Alameda, o qual também foi de enorme qualidade.

O certame esteve muito bem organizado e nem faltou a escolta policial a abrir caminho aos autocarros até à Alameda.

A Filarmónica do Crato apresentou-se condigna, mas recorreu à ajuda de dois músicos de outras congéneres devido ao facto de não ter podido contar com todos os seus executantes. O bairrismo já não é o que era, mas há bons exemplos que têm de ser relevados e desta vez aplaude-se os executantes que fizeram alguns sacrifícios pessoais e foram “ a correr” para Lisboa após se libertarem dos seus ofícios no sábado à hora de almoço. Outro caso de realce é o do casal Nuno Antunes e Dora Dias, passam-se os anos, mas não vergam a deixar de atuar na sua banda sempre que podem, pois vivem na Vialonga há vários anos. Bem haja a todos!


O município do Crato merece o outro elogio pela cedência do autocarro que bem publicitou o Crato pelas avenidas de Lisboa. Também a União de Freguesias se tem de juntar nos agradecimentos visto que disponibilizou uma carrinha para levar os músicos que só puderam seguir após a hora de almoço e que também traria os que entravam ao trabalho no domingo de madrugada visto que a comitiva só chegou ao Crato pelas 3,30h da manhã. Bem-hajam!
Ao maestro, direção e músicos presentes, fica também uma palavra de apreço por todo o seu esforço e qualidade demonstrada.

